Isolamento pode ser estopim para violência doméstica

Isolamento pode ser estopim para violência doméstica

Isolamento pode ser estopim para violência doméstica

Ansiedade e estresse provocado pelo momento crítico podem despertar agressividade latente. Dados apontam que o problema tem crescido no período de quarentena

Isolamento pode ser estopim para violência doméstica. O afastamento social e a necessidade de ficar em casa é difícil para quase todas as pessoas. Se muitas enfrentam o tédio, há outras para as quais essa situação pode representar um risco de morte.

Dados apontam que os casos de violência doméstica têm crescido, e especialistas indicam que a atual situação mundial é um dos fatores que agrava o problema. O estresse e a ansiedade causados pelo confinamento e pela incerteza diante da pandemia de Covid-19 podem ser o estopim para casos de agressão.

Segundo dados divulgados pela Agência Câmara de Notícias, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos informou que as denúncias de violência doméstica cresceram em média 14% de janeiro até abril deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Somente no mês de abril, o aumento ficou em torno de 28%.

Conforme a psiquiatra da Holiste Livia Castelo Branco, os casais tendem a conviver pouco e isso ocorre mais em momentos de lazer. Essa convivência intensa no período de isolamento, em especial nas situações de maior desgaste e estresse, pode trazer conflitos que não existiam ou que estavam latentes.

Livia Castelo Branco

“Os papéis dentro da casa também vão se modificando e um pode, por exemplo, começar a ter ciúmes da forma como o outro se comporta dentro de casa, ou pequenas coisas podem se tornar motivo de atrito, como a mulher convocar o homem a ajudar nas tarefas domésticas. Porém é importante alertar que momento atual – que gera ansiedade e estresse – pode ser a gota d’água, mas nunca será o único fator que leva à violência”, aponta Livia.

A psiquiatra ressalta que o confinamento traz à tona ansiedade e irritabilidade, porque reduz os estímulos externos – como trabalho, amigos, colegas, atividades de lazer – e, a partir do momento que a pessoa está em casa, sem esses estímulos, ela entra em contato com suas próprias angústias.

“Muitas vezes, as pessoas tendem a direcionar essa irritabilidade para quem estão convivendo no dia a dia. A questão econômica também pode ser um problema, porque as prioridades mudam e isso gera novos conflitos dentro da família. Tudo isso pode ser um agravante para a violência e desencadear um comportamento agressivo que já era latente naquele indivíduo”, completa a médica.

Livia salienta a importância das vítimas poderem contar com uma rede de apoio, formada de pessoas de confiança, com as quais elas possam conversar e encontrar apoio emocional, mas também contar em momentos críticos para receberem socorro.

“É importante o apoio de familiares, amigos, vizinhos, para que estas pessoas não estejam sozinhas diante dessa situação. As pessoas podem se colocar à disposição para dar socorro, sugerindo a criação de códigos para pedir ajuda, para que possam dar assistência à vítima, ou chamar a polícia.

Em um momento de perigo iminente de violência, o ideal é evitar o confronto, se afastar e pedir ajuda, por uma questão de segurança. O ideal é que esse não seja o padrão do relacionamento – um se policiar o tempo todo para não irritar o outro.

Se isso ocorre, já é um sinal de algo errado naquela relação. Porém, em um momento de perigo, evitar o conflito e pedir ajuda é o mais seguro”, completa Livia.  

*Por Livia de Castelo Branco

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