Pais ainda são as peças-chave para uma educação sem preconceitos

preconceito infantil

Pais ainda são as peças-chave para uma educação sem preconceitos

Pais ainda são as peças-chave para uma educação sem preconceitos. A discriminação por gênero, cor e classe social no Brasil faz com que muitas pessoas sejam submetidas, todos os dias, ao ódio e à intolerância.

Em pleno século 21, a sociedade ainda precisa aprender a lutar contra situações de preconceito.

E o que pouca gente percebe são as consequências que atitudes discriminatórias podem ter quando a vítima é uma criança em processo de formação da própria identidade.

A psicóloga Christiane Reis, do grupo Prontobaby, diz que não existe um botão mágico que faça com que casos de discriminação deixem de existir da noite para o dia.

Ela acrescenta, porém, que cabe aos pais desempenhar o papel essencial na criação de uma sociedade igualitária.

“O preconceito começa em casa e é dever dos pais educar seus filhos para que não perpetuem essas atitudes. Se não queremos que nossas crianças tenham determinados comportamentos, também não devemos tê-los. É preciso ajudar a criança a se tornar mais sensível ao sentimento do outro. A infância é um ótimo momento para trabalhar a empatia e compaixão”, comenta.

Mas como estimular o respeito às diferenças na infância? Essa e as principais dúvidas sobre o tema a psicóloga responde a seguir. Confira:

COMO AJUDAR AS CRIANÇAS A TEREM EMPATIA PELO OUTRO E FAZER COM QUE ENTENDAM QUE DISCRIMINAÇÃO É UMA INJUSTIÇA?

Antes dos cinco anos, a criança não tem entendimento do que é certo ou errado.

A gente tem que levar em consideração em que contexto essa criança está inserida.

Geralmente, as repetições de comportamento vêm em função do que elas observam nos pais. 

A criança repete comportamentos que ela observa mesmo sem julgar, porque muitas vezes ela ainda não tem capacidade de identificar se aquilo está certo ou errado.

COMO AJUDAR A CRIANÇA A SER SENSÍVEL AO SENTIMENTO DO OUTRO?

Empatia não é uma coisa que a gente compra na padaria ou dá um remédio para ter.

Há crianças que são realmente desprovidas desse conceito de empatia, de sentir remorso ou pena do outro. Dentro desse contexto familiar, o modelo a ser seguido precisa ser estruturado.

Os pais precisam passar aos filhos que preconceito e discriminação são coisas injustas, isso tem que se tornar um código de ética dentro de casa. A criança absorve e incorpora os exemplos que presencia em casa.

É importante fazer com que eles entendam a opinião e os sentimentos do outro.

Usar histórias, livros, desenhos, recriar o acontecimento na hora da explicação pode facilitar o entendimento por parte deles.

COMO IDENTIFICAR QUE MEU FILHO SOFRE PRECONCEITO? QUAIS COMPORTAMENTOS ELE PODE DESENVOLVER?

É preciso que os pais estejam atentos aos sinais de desconforto e angústia da criança.

Em geral, ela começa a perder o interesse no contexto escolar, ter sono além do normal e ficar agressiva. Não necessariamente agressividade física com o outro, mas com ela mesma.

Alguns pacientes desenvolvem episódios de automutilação por sofrerem preconceito e discriminação na escola ou na rua, por não se sentirem adequados em diferentes contextos.

Episódios de melancolia e tristeza podem encaminhar para o uso de álcool e outras drogas.

COMO AJUDAR A CRIANÇA A TER AUTOESTIMA E SE ACEITAR?

No universo infantil, o desenvolvimento é muito mais contínuo, muito mais não linear, muito mais progressivo e com mudanças quase que diárias.

Quando a gente fala em aceitação, estamos nos referindo a algo que precisa ser conhecido para que haja essa aceitação.

É muito comum essa variação de autoestima porque essas crianças e jovens estão sempre estreando coisas novas, e aceitar o novo é muito difícil para qualquer pessoa.

E claro que o reforço positivo, familiar e sociocultural no contexto dessa criança é muito importante.

É importante que esses pais aceitem que esse filho é único, singular e especial.

E aí vem o reforço positivo, mostrar para o seu filho que você o reconhece, aprecia as suas qualidades individuais.

Crianças de lares onde o reforço positivo é praticado têm menos chances de se sentirem rejeitadas.

Por Redação

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