Por que estamos cada vez mais aprisionados em nossa própria imagem?

Por que estamos cada vez mais aprisionados em nossa própria imagem?

Por que estamos cada vez mais aprisionados em nossa própria imagem?

Por que estamos cada vez mais aprisionados em nossa própria imagem? Na gangorra emocional que é a vida, oscilamos  entre uma auto-estima  caquética e do outro lado da balança, um empoderamento surreal  que nos encarcera pelo ego.

Como diriam muitos publicitários, imagem é tudo. Entretanto em uma época em que a liberdade de expressão é ilimitada, e em que o maior dos paradigmas é a própria desconstrução de cada um destes, acentua-se então nossa falta de alicerces mais tangíveis. Mundo líquido, que segundo Bauman, nada contem e está em fluidez constante.

Acredito que este cenário não é nem pior nem melhor do que em outras épocas, mas transitório. E enquanto não se define, urge ainda mais a necessidade de encontrarmos dentro de nós mesmos  balizamentos menos tangíveis. Isto se traduz na auto-estima que deve se estabelecer com base no que se faz sentido para cada um e não na constante e seletiva aprovação externa.

Estamos criando uma geração de Narcisos. Pessoas  que se perdem em sua “ensimesmice”  como estrelas cadentes constelando em torno de si mesmas. O outro para estas não existe. É apenas reflexo  imperfeito e  fragmentado de si mesmas.

Necessitam registrar quase que ininterruptamente suas imagens, por onde passam, para que possam ser validadas por aqueles que a curtem, ou melhor, a enxergam, pois de outra forma, estas permanecem invisíveis  para si mesmas.

Sofrem cada vez mais de um Alzheimer precoce, pois a memória desta existência, que necessita ser registrada pelo outro, se esvai rapidamente, fazendo-as esquecer quem elas são ou para onde vão.

Mulheres cada vez mais escravas de sua expressão estética, como única forma de sobreviverem em uma sociedade ainda cruelmente machista.  Capazes de se auto mutilarem até o limite de seus corpos frágeis, tentando corresponder compulsivamente a padrões idealizados. E a conta não fecha, pois o buraco é mais embaixo, ou melhor dentro de cada uma delas.

Homens  obcecados pelo empoderamento em se ter mais do que ser. Presos a matéria, em uma busca insana pelo acúmulo de patrimônio financeiro como única forma de serem considerados e de se validarem como homens. Jovens que querem ser milionários aos trinta, abdicando de vida afetiva, social e familiar em nome desta ambição egoica. Aqui também a conta que se paga é alta e o vazio inevitável.

*Por Ronald Guttmann

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