Sonho Acordado

Sonho Acordado

Sonho Acordado

Sonho Acordado. Estava eu, após mais um longo dia de trabalho, voltando para casa,  em uma noite fria que parecia anunciar a chegada do Inverno. 

Com o ar ligado e com os vidros fechados, permanecia, como a maioria de nós, ligado no automático e alheio ao mundo do lado de fora. Apenas eu e a música que me aquecia de ilusões provisórias.

Notícias?  Jamais, naquele horário e com a cabeça cheia necessitando de calmaria. De repente sou interrompido pelos meus devaneios em um farol qualquer por uma figura que bate em meu vidro lateral. 

Em um país tomado pela desconfiança e violência latente, me faço de autista e o ignoro a princípio, esperando pelo farol  e por sua abertura, o que parecia uma eternidade.Uma parte de mim me recriminou naquele momento.

Pensei comigo mesmo, e se fosse eu do lado de fora, pedindo por socorro e me deparasse com a desconsideração de todos a minha volta?  

Pensei novamente no farol, que a esta altura parecia definitivamente quebrado. Ou pior ainda o tempo havia sido interrompido e paralisado naquele exato momento de minha indecisão. 

Como uma cena de um filme que se congela em seu clímax, para dar mais suspense. Abrir a janela, significaria, por um lado, me expor completamente aos meus piores pesadelos e ficar a mercê da maldade humana.

Por outro lado, poderia também abrir uma janela de esperança para alguém que já havia fechado suas portas na crença ao ser humano. Eu sabia que o farol só abriria quando eu resolvesse tomar uma decisão. Vermelho, amarelo, ou verde…. ele permanecia apagado, esperando que eu mesmo definisse a sua indicação.

Como se eu mesmo o controlasse. Então num impulso altruísta resolvi abrir a janela, sem muito pensar.  Foi muito rápido. O sinal se abriu. Deu tempo apenas para uma troca de olhares e de sorrisos contagiantes dos dois lados. 

Foi como se me deparasse com um espelho que apenas reproduziu do lado de fora a minha própria disposição . Cheguei a pensar se realmente tinha aberto de fato o vidro ou se me deparava com meu próprio reflexo  que nele  incidia. 

Decidi que não. Que de fato havia aberto a janela de meu coração e que meu sorriso imediatamente se encontrou com o sorriso dele .

Acreditei que fomos surpreendidos pelo inusitado.  E que portas e janelas se abriram nos convidando a entrar  em um novo e aconchegante espaço  de  troca humanitária.

*Por Ronald Guttmann

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