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Apresentador Benjamin Cano suplica: "Parem de dizer que pai é quem cria"

O influencer acredita que essa questão é tão óbvia que não deveria ser dita

Apresentador Benjamin Cano suplica: "Parem de dizer que pai é quem cria"
Tem frases que são tão óbvias que não deveriam ser ditas. Pelo menos é o que pensa Benjamin Cano ao ler comentários sobre seu filho Vinicius. O menino, de quatro anos, foi adotado nos primeiros dias de vida pelo apresentador e seu marido Louis Plànes.
 
"É o mesmo que dizer se você sair na chuva vai se molhar. Claro, que pai é quem cria e dá amor . Você acha que quem abandona um filho pode ser chamado de pai?", indaga .
Benjamin vai além e toca em um ponto que infelizmente faz parte da realidade de muitas famílias. "Um pai que põe um filho LGBTQIA+ para fora de casa pode ser chamado de pai? O verdadeiro sentido da palavra pai vai muito além do gene", enfatiza. 
 
Apesar disso, Benjamin diz que não se incomoda se um dia seu filho quiser conhecer seus pais biológicos. "Se um dia Vinícius quiser encontrar a mãe dele, porque o pai está desconhecido, ajudaremos ele, estaremos junto com ele, em todas as etapas. Guardamos todas as informações da mãe biológica dele, se um dia ele quer ter acesso ele teria. Não temos problemas com isso. Somos a família dele. Não tenho dúvidas", relata.
 
O também já está preparando seu filho para lidar melhor com a discriminação. 
 
"Ele tem questões para serem trabalhadas desde pequeno, como ser adotado, ser preto e ter dois pais. Estamos conversando bastante com ele e desde sempre, de forma adaptada, óbvio, com livros e desenhos, para explicar que existem vários tipos de famílias e que todos têm os mesmos direitos porque a base é o amor e o respeito. Pode ser pai e mãe, dois pais, duas mães, somente uma mãe, somente um pai só”, afirma.
 
Vinícius foi abandonado pela mãe biológica no hospital
 
Juntos há mais de 20 anos, Benjamin Cano e Louis Planès são franceses de Toulouse e decidiram se mudar para o Brasil há quase 10 anos para iniciar um novo empreendimento. Administraram um hotel-boutique em Ipanema por sete anos e hoje, além de casados, são sócios no ramo imobiliário. 
 
Em meio ao trabalho, decidiram adotar uma criança e entraram com a habilitação na Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro. Durante um ano, participaram de encontros com psicólogos e assistentes sociais para obter um estudo da condição familiar. 
 
Depois de aprovados, aguardaram dois anos com imensa expectativa, acompanhando de perto o processo junto à Vara da Infância e da Juventude para saber se havia uma criança disponível para o casal. 
 
Até que em um dia receberam a aguardada ligação de uma juíza carioca, informando que uma colega, também juíza, de Ilhéus, Bahia, estava com um caso de um recém-nascido prematuro de cinco meses sem pretendentes. 
 
O pequeno Vinícius havia nascido na rua com apenas 900 gramas. Foi reanimado na ambulância do SAMU e abandonado no hospital. A mãe biológica não chegou a ficar nem três horas com o bebê.
 
Imediatamente o casal se interessou e foram até a Bahia. Ali começou a conexão do casal com Vinicius. O bebê, já com dois meses e meio de vida, teve alta da UTI um dia após a ligação da juíza e os novos pais foram buscá-lo na maternidade. Era dia 11 de maio de 2017. Naquela época, a nova família teve de permanecer na Bahia por três semanas, pois Vinicius estava tão magro que a pediatra não autorizou a viagem de avião para o Rio.
 
Benjamin apresentou o reality show francês "Les Angels". A sétima temporada foi gravada no Brasil e também contou com a participação da socialite Narcisa Tamborideguy.